Ricardo Miranda Filho
A poesia é um estado de sentimento único, compreendido através da ação de vivê-la.
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A crônica Cérebro de fanático, de Olavo Bilac, e uma crônica de Machado de Assis sobre Antônio Conselheiro, escrita para a coluna A Semana, retratam como era o Brasil durante o início de República e como esta traz o impacto da modernização técnica à atividade literária e à vida social da época. O escritor Olavo Bilac registra essa passagem da história brasileira afirmando que Antônio Conselheiro demonstrava seu descontentamento com a República que apresentava uma delicada situação política, aponta gravidade que a Revolta de Canudos trouxera e que acabara se tornando uma guerra, e, ao mesmo tempo, Bilac dissertava numa perspectiva próxima à postura científico-positivista que os jornalistas tinham diante de Conselheiro. Além disso, percebe-se que Bilac apresentava certas contradições quando falava sobre alguns aspectos sociais e políticos vigentes no Brasil do século XIX: defende a República, mas critica seu caráter quando aponta os políticos republicanos que não tomavam providências para melhorar a condição da população; analisa e defende o estado de sítio – fala que o Conselheiro poderia vir a ser um déspota caso vencesse a revolta; critica as crenças populares e o misticismo afirmando que os religiosos são falsos e dissimulados, mas se apodera dessas crenças religiosas lhe cabe para pode explicar seu ponto de vista. Na crônica de Machado de Assis, o escritor faz rígidas criticas as elites da época que combatiam Canudos até onde podiam mesmo sabendo que Conselheiro não fazia alarde contra a República antes de tudo começar. Seu único desejo era criar uma comunidade a fim de que pudesse viver de um modo diferente. Assim, Machado sempre questionava as formas de poder da época as quais tentavam tudo para derrubar aquele povo e o Conselheiro. Além disso, critica demasiadamente a imprensa que se tornou parcial e distante da realidade dos fatos que noticiava através de um tom sensacionalista. Difere nesse sentido quando fala de Os Sertões, de Euclides da Cunha – que é jornalista e que fala imparcialmente sobre a vida e o fanatismo dos sertanejos. Machado afirma ainda, com um tom sarcástico, que Conselheiro não era, de certo modo, contra a República, mas a forma como este modo de governo agia para melhorar – ou não – a situação da sociedade. Fazia, portanto, uma reflexão sobre a condição de vários setores, como a educação, a saúde, a imprensa – que, como já foi dito, distorcia os fatos reais – e isso tudo ainda acontece nos dias de hoje. Com isso, Machado trata Antônio Conselheiro como um messias, uma celebridade. Chega a falar: “Não sabe o nome do messias. É ‘esse homem que briga lá fora’”. Machado foi tão sarcástico que fez comparação entre o centenário da morte de Conselheiro com o centenário da invenção do chapéu: seria possível celebrar o centenário deste em vez de celebrar o centenário daquele; Machado diz: “Tem-se dito muito deste chapéu. Chamam-lhe cartola, chaminé, e não tarda canudo, para rebaixá-lo até à cabeleira hirsuta de Antônio Conselheiro”. As duas crônicas falam de uma transformação social ocorrida no século XIX que serviu para uma revolução modernizadora que foi importante para os dias atuais. Os autores revelam que a revolta começou diante de um Brasil colonial preso a uma economia agrária – Machado de Assis fala de um fanatismo sertanejo pertinente a figura de Antônio Conselheiro que lutava com objetivo de aliviar as condições sociais em que o Brasil se encontrava para melhorar a dinâmica da economia nacional - o que dificultava ao país possuir uma política semelhante ao contexto internacional em que havia uma grande adaptação às mudanças ocorridas em diversos âmbitos, como o desenvolvimento da tecnologia e das indústrias, por exemplo. A política usada pela República casou um enorme êxodo rural ocasionando um enorme crescimento de Canudos. Por isso, a dificuldade em acabar com a comunidade de Canudos, haja vista a forma como o exército brasileiro tentou eliminá-lo. Assim, preocupou-se em trazer modernização para o Brasil. O próprio Bilac afirmava que o Conselheiro, de certa forma, tinha apreço pela República, mas queria um desprendimento da forma como o governo agia com a população, de que boa parte não entrou no processo de inclusão à modernidade.
Ricardo Miranda Filho
Enviado por Ricardo Miranda Filho em 16/09/2015
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