Ricardo Miranda Filho
A poesia é um estado de sentimento único, compreendido através da ação de vivê-la.
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Literatura Maranhense

A concepção da literatura maranhense se deu a partir do Romantismo no século XIX, mais precisamente em 1832 com a publicação do poema Hino à tarde, de Odorico Mendes. Pode-se dizer que a construção de uma ideologia na criação literária se deu no Brasil aos poucos, tendo em vista o processo civilizatório no país, além de ser importante analisar que o desenvolvimento do Brasil como país se deu de forma lenta, ocorrendo de fato em 1822 após a independência em relação à Portugal e após mais de três séculos de colonização.
Percebe-se, de certo modo, que a introdução e o desenvolvimento literários no país ocorreram bem devagar, a princípio, devido às primeiras produções locais não terem nenhum parâmetro artístico propriamente por partes dos escritores locais, mas apenas sobre o local. Pode-se afirmar que os escritores presentes no país no início de sua formação literária eram oriundos de Portugal, mas, mesmo assim, contribuíram para a produção artística da época, como afirma Joaquim Norberto de Sousa Silva: “os autores brasileiros começaram de aparecer no começo do século décimo, no meio da luta da invasão holandesa, que ainda hoje conhecemos pelo nome de ‘Guerra brasílica’”.
Argumenta-se, no entanto, que os primeiros escritos eram apenas sobre o Brasil, mas não foram perpetrados por brasileiros natos, ainda mais devido à literatura feita até então estar intrinsecamente ligada a Portugal, como se pode notar com os primeiros textos feitos no início do século XVI, que eram basicamente de viajantes como Pero Vaz de Caminha o qual apenas descreveu o que vira ao chegar a território até então desconhecido – além disso, esse tipo de texto era literatura de informação, ou seja, “são informações que viajantes e missionários europeus colheram sobre a natureza e o homem brasileiro”, e de produções feitas até início do século XIX com o advento do Romantismo em 1836, época até a qual a maioria dos escritores eram portugueses ou filhos de portugueses, mas nascidos no Brasil colônia, como era o caso de Gregório de Matos, que nascera na Bahia, mas tinha formação na Universidade Coimbra e, por isso, ainda discutia em seus textos assuntos muito atrelados à Portugal, embora negativamente como quando escrevia “contra algumas autoridades da colônia, mas também palavras de desprezo pelos mestiços e de cobiça pelas mulatas”.
Pode-se afirmar, portanto, que a literatura brasileira teve início com o Romantismo, o qual ocorreu com grande força no Maranhão, tendo sido nesta época em que houve uma imensa necessidade de se começar a escrever sobre aspectos propriamente nacionais com o objetivo de se construir uma identidade própria e sem aquela influência portuguesa que ainda havia nos séculos anteriores. A partir daí, começa-se a notar uma enorme produção literária acerca dos assuntos nacionais ao se destacar questões sobre as necessidades que havia em território brasileiro, a natureza e assuntos sócio-históricos, no entanto por meio de um olhar puramente romântico, cuja formação não foi diferente em território maranhense que teve escritores com grande importância para a formação literária local, como Gonçalves Dias, Sotero dos Reis, Sousândrade, Antonio Lobo, Odorico Mendes, entre outros nomes que compuseram as primeiras gerações de grandes escritores maranhenses, os quais, assim como na produção nacional, tentaram colocar na escrita algo que demonstrasse as características que os identificassem, ou seja, a intenção era formar uma literatura sem nenhuma influência externa, como vinha acontecendo até aquele momento na literatura brasileira.
Pode-se dizer, portanto, que o intento foi perpetrado em um momento que a economia maranhense estava no auge após São Luís ter sido escolhida como sede da Companhia do Grão-Pará e Maranhão, o que contribuiu com o recebimento do codinome Atenas Brasileira, pois este grande desenvolvimento econômico ajudou a cidade a obter um enorme crescimento literário com o surgimento de nomes importantes que formaram três grupos importantes: Grupo dos Maranhenses formado por Gonçalves Dias, Odorico Mendes, Joao Francisco Lisboa, Sotero dos Reis, Sousândre e Maria Firmina dos Reis; Grupo dos Emigrados formado por Arthur Azevedo, Aluísio Azevedo e Raimundo Corrêa; e os Novos Atenienses formados por Antônio Lobo, Fran Paxeco, Nascimento de Morais, Viriato Corrêa, Humberto de campos, Maranhão Sobrinho.
Embora tivesse ocorrido um enorme desenvolvimento econômico com a produção de açúcar e algodão, no início do século XIX a economia maranhense entrou em queda “com a Abolição da Escravidão, em 1888, a queda da Monarquia e a derrocada da agroexportação”, o que ocasionou numa queda da produção literária no Estado. Deste modo, pretende-se, neste artigo, debater sobre a formação literária no estado do Maranhão.
Ricardo Miranda Filho
Enviado por Ricardo Miranda Filho em 05/02/2018
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