Ricardo Miranda Filho
A poesia é um estado de sentimento único, compreendido através da ação de vivê-la.
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Entrevista com o escritor Diogo Rufatto
1. Fale um pouco sobre você. Quais são seus projetos já lançados e quais os próximos lançamentos?

Meu nome completo é Diogo da Costa Rufatto, nasci em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, no dia 16 de outubro de 1989, ano da queda do muro de Berlim. Gosto de ressaltar essa informação porque ainda nasci num mundo dividido, mas logo depois a barreira caiu. Penso que o ofício de escritor pode ser uma marreta dessas que derrubam muros, o que está se mostrando cada vez mais importante na atualidade. Sou graduado em Letras pela Universidade de Passo Fundo e pós-graduado em Tradução do Inglês pela Universidade Estácio de Sá. Moro em Belo Horizonte, Minas Gerais, desde 2011 e trabalho como revisor de textos, tradutor e intérprete.
Lancei dois livretos de poesia pela Impressões de Minas Editora/Selo Leme: Do pó (2016) e sua sátira, Do pau (2017). Também lancei um livro de contos chamado O livro fúcsia – da linguagem tripartida (2017) pela Editora Urutau. Não tenho nenhum lançamento programado, mas já tenho algumas coisas prontas, como um livro infantil em processo de ilustração e um livro de poesia que enviei para concurso.


2. Em que hora do dia você sente que trabalha melhor? Você tem algum ritual de preparação para a escrita?
Como eu trabalho como freelancer e com a escrita o tempo inteiro, não tenho hora nem dia para me dedicar aos meus projetos autorais. Acaba sendo quando sobre tempo ou quando a necessidade de escrever é mais forte que a de ganhar dinheiro.
Gosto muito de escrever no fim da noite/início da madrugada, quando parece que a vida silencia e eu sei que o celular não vai apitar nem vou receber nenhum email com algum projeto urgente. O problema é que às vezes a cabeça fica tão agitada que durmo mal e fico bastante cansado no outro dia.

3. Você escreve um pouco todos os dias ou em períodos concentrados? Você tem uma meta de escrita diária?
Como disse na pergunta anterior, escrevo todos os dias no sentido de que trabalho com a escrita, mas dos outros. A minha escrita, autoral, não tem método nem rigor. Não tenho metas de escrita diárias. A única meta de escrita que me impus até agora foi de páginas de um livro em que estou trabalhando.

4. Como é o seu processo de escrita? Uma vez que você compilou notas suficientes, é difícil começar? Como você se move da pesquisa para a escrita?
Meu processo é muito mental. Fico pensando no texto durante dias, semanas, até meses sem tomar nenhuma nota. De repente, a coisa começa a jorrar no teclado. Quase nunca escrevo à mão, uma das coisas que me move é o som que os dedos provocam nas teclas. Mas é esse processo constantemente interrompido. Às vezes escrevo páginas e páginas em um ou dois dias, às vezes fico vários dias sem escrever nada. Acho que minha escrita é bastante intuitiva. Inclusive, meus textos demoram a ficar prontos. Sempre interrompo por um tempo, deixo de molho, passo para outro, depois volto, retomo, reescrevo. Demorei 7 anos para terminar de escrever um livro com 3 contos.

5. De onde vêm suas ideias? Há um conjunto de hábitos que você cultiva para se manter criativo?
Não sei de onde minhas ideias vêm, acho que do que me alimento, ou seja, das narrativas que me atravessam todos os dias. Pode ser pelos livros que leio, pelas séries e filmes a que assisto ou por alguma coisa que me aconteceu no dia, algo que alguém me falou, algo que vi, que escutei no ônibus, na padaria, coisas assim. Não tenho nenhum conjunto de hábitos para me manter criativo.

6. O que você acha que mudou no seu processo de escrita ao longo dos anos? O que você diria a si mesmo se pudesse voltar aos seus primeiros escritos?
Mudou o medo. Os primeiros textos eram muito difíceis no sentido de eu não aceitar muito bem que aquilo que eu estava fazendo era literatura e que alguém poderia querer ler. Hoje eu já escrevo pensando que alguém vai ler. Algo que eu diria para o Diogo dos primeiros escritos é escreva, você pode.

7. Você precisa de um ambiente em particular para escrever?
Gosto de estar sozinho e de escrever no computador, com um teclado que me permita agilidade. Mas não é uma regra. Quando estou na rua e tenho uma ideia, mando para mim mesmo por email pelo celular ou anoto em algum papel, se tiver.

8. Algum autor influenciou você mais do que outros? Quem são seus escritores favoritos?
Sem sombra de dúvidas a autora que mais me influenciou foi Hilda Hilst. O livro fúcsia é uma homenagem minha à forma como os escritos dela me atravessaram. O projeto que mencionei acima é uma reação minha aos textos de João Gilberto Noll.

9. Que conselhos você daria a um jovem escritor?
O único possível: escreva. E acrescento: mostre seus textos para alguém que possa criticá-los. Não no sentido de falar mal, no sentido de fazer uma leitura crítica. Por isso não vale mãe, pai, irmão, amigo, etc. Mostre para alguém capacitado a fazer uma leitura e apontar as falhas, pois é assim que um escritor cresce. E participe de oficinas. Eu participo de um ateliê de escrita semanal, um projeto chamado Estratégias Narrativas, as trocas são magníficas!

10. Que projeto profissional e literário você gostaria de fazer, mas ainda não começou?
São dois já timidamente começados. O primeiro é escrever para teatro e o segundo é oferecer uma oficina de escrita criativa.

11. Se você não fosse um escritor e pudesse escolher qualquer emprego, profissão ou carreira, o que você faria e por quê?
Não sei. Tenho formação para ser professor, mas acabei ficando sempre no viés do trabalho com o texto ou com a língua. Talvez eu fosse um bom bibliotecário, sei lá!

12. Deixe aqui seus contatos.
Meu email é diogorufatto@hotmail.com ou dc.rufatto@gmail.com
Posso ser encontrado no Facebook, Instagram, Twitter, este eu não uso já faz muito tempo...
Seguem links para uma entrevista comigo e uma amiga:
https://www.youtube.com/watch?v=qC2pw8M7ZzA&t=2s
https://www.youtube.com/watch?v=CkzbUHZ1cf8&t=1s
https://www.youtube.com/watch?v=XWyek4K7fsI&t=155s

e para os livros:
https://impressoesdeminas.com.br/loja/
http://www.editoraurutau.com.br/livros-1


Ricardo Miranda Filho
Enviado por Ricardo Miranda Filho em 08/10/2018
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