Ricardo Miranda Filho
A poesia é um estado de sentimento único, compreendido através da ação de vivê-la.
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ENTREVISTA COM O ESCRITOR MAURÍCIO GOMYDE


SUPLEMENTO LITERÁRIO - Fale um pouco sobre você. Quais são seus projetos já lançados e quais os próximos lançamentos?
MAURÍCIO GOMYDE - Além de escritor de livros, sou músico e roteirista. Acho que sou um sujeito tranquilo, que gosta da vida, da família, de curtir as coisas simples. Se tiver um tempo bom, uma cerveja gelada, um petisco e bons amigos ao redor, o mundo pode acabar que tá tudo certo. Lancei 4 livros independentes e 3 por editoras (“A Máquina de Contar Histórias”, “Surpreendente!” e “Todo o tempo do mundo”). Os dois últimos saíram em outros países por boas editoras. Agora em 2019 sairá a nova versão de um dos independentes, chamado “Ainda não te disse nada”. E já estou escrevendo um inédito.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Que projeto profissional e literário você gostaria de fazer, mas ainda não começou?
MAURÍCIO GOMYDE - Eu gostaria de fazer algumas coisas, como escrever um infanto-juvenil e a releitura de algum clássico da literatura infantil. Também venho tendo vontade de criar alguma história com um personagem histórico, inseri-lo em outro contexto. Requer muita pesquisa, e estou começando a tatear para ver onde vai dar.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Em que hora do dia você sente que trabalha melhor? Você tem algum ritual de preparação para a escrita?
MAURÍCIO GOMYDE - Escrevo muito cedo. Como trabalho o dia todo, se não for logo pela manhã não será. Acabou que me acostumei a levantar em torno de 5h00 da manhã e ir até 8h30. Acho importante o hábito diário, escrever independentemente de ser meio ou fim de semana, dia normal ou feriado. A recorrência, pelo menos para mim, funciona bem. O único “ritual”, se é que se pode chamar assim, é tomar o café da manhã na frente do computador, sempre ouvindo rock and roll no fone. Não consigo escrever em silêncio. Ah, outra coisa fundamental é deixar o celular longe, muito longe! (risos)

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Você escreve um pouco todos os dias ou em períodos concentrados? Você tem uma meta de escrita diária?
MAURÍCIO GOMYDE - Não fico contando palavras. Até poderia ter alguma meta (acho que umas 1.000 por dia seria excelente), mas o importante, para mim, é estar em contato com a história diariamente.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Como é o seu processo de escrita? Uma vez que você compilou notas suficientes, é difícil começar? Como você se move da pesquisa para a escrita?
MAURÍCIO GOMYDE - Em geral eu fico dias e dias pensando na história, no universo em que ela ocorrerá. Gosto de começar logo pelo personagem principal. Quem ele é, o que faz, que faixa etária, qual sua angústia? Quando começo a perceber que tenho algo promissor, passo a fazer notas e a pesquisar. Sempre abro um arquivo chamado “Pesquisa do livro tal”. Daí, vou inserindo tudo o que vem à mente e tudo o que é fruto da pesquisa (frases, trechos, links para sites, links para músicas no youtube, etc.). Aquilo vai virando um caldo de informações que vai compondo o mood da história. Só começo a escrever de verdade, só escrevo “Capítulo 1”, quando já sei mais ou menos aonde quero chegar.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - De onde vêm suas ideias? Há um conjunto de hábitos que você cultiva para se manter criativo?
MAURÍCIO GOMYDE - Eu sou de uma geração “pop”, que é a dos anos 80. Sou músico desde então, sempre vivi no meio artístico (minha mãe é pianista profissional). Então, desde sempre tive contato com a leitura, com músicas, com teatro, cinema, etc. Para mim, o que funciona é ler muito, assistir a muitos filmes, ouvir muita música. Tenho tentado evitar (é difícil demais!) ficar pendurado na internet. É ótima fonte de consulta, mas é uma ladra de tempo absurda.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - O que você acha que mudou no seu processo de escrita ao longo dos anos? O que você diria a si mesmo se pudesse voltar aos seus primeiros escritos?
MAURÍCIO GOMYDE - Estou passando por um processo interessante no momento e que tem tudo a ver com sua pergunta. Agora em 2019 sairá a nova versão do “Ainda não te disse nada”, que foi um livro escrito em 2010. Reabri o livro e comecei a ajustar, cortar, reescrever, refazer parágrafos. Um indicativo claro do amadurecimento da minha escrita neste tempo foi o fato de que o livro de 2010 tinha 59.000 palavras e o atual tem 51.000. Cortei 8.000 palavras (algo como 30 páginas) e, incrivelmente, tem bem mais história do que tinha. A gente vai notando que é possível falar mais com menos, e este é um grande aprendizado que tive.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Você precisa de um ambiente em particular para escrever?
MAURÍCIO GOMYDE - Eu tenho um escritório na minha casa. É meu mundo, tem quadros de que gosto, plantas, tem uma estante enorme de livros, é bem iluminada e colorida. Preferi criar um ambiente assim, acolhedor, no qual me sentisse bem. Afinal de contas, passo algumas horas dos meus dias lá. De toda forma, posso escrever em qualquer lugar. Escrevi muito dos meus livros em quartos de hotel. Sem crise.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Algum autor influenciou você mais do que outros? Quem são seus escritores favoritos?
MAURÍCIO GOMYDE - Acho que só teve um autor que me influenciou diretamente, que foi o Nick Hornby. Digo isso porque meu primeiro livro escrevi após ler o “Alta Fidelidade”. Ali eu disse: se algum dia eu escrever um livro, será com este tipo de linguagem rápida, fácil, leve, cheia de referências. Mas gosto de uma pancada de autores: Veríssimos (pai e filho), Jostein Gaarder, Joel Dicker, Hemingway, Hornby, Salinger. O que vier a gente traça. (risos)

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Que conselhos você daria a um jovem escritor?
MAURÍCIO GOMYDE - Eu sempre dou só um: “viva intensamente a história que você está escrevendo”. Isso significa: conheça o universo dela, vá tentar visitar os cenários, pesquise as referências, ouça as músicas que poderiam tocar ali e os filmes que poderiam passar. Seja o personagem! Porque, no fim das contas, o que importa é viver, aprender, crescer, sair do livro melhor do que você entrou. Nunca pense em sucesso de vendas, porque o que vale é o sucesso de se tornar uma pessoa melhor.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Se você não fosse um escritor e pudesse escolher qualquer emprego, profissão ou carreira, o que você faria e por quê?
MAURÍCIO GOMYDE - Seria cineasta, porque o que gosto mesmo é de contar histórias.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Alguma vez você aprendeu algo com uma crítica? Se aprendeu, isso mudou seu jeito de escrever?
MAURÍCIO GOMYDE - Aprendo demais. Eu leio todas as críticas e tento absorver mais as negativas. Não que eu vá mudar minha forma de escrita porque alguém não gostou do que escrevi. Mas se é algo que me parece pertinente, eu incorporo, sem nenhum tipo de crise.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Entre escrever um grande livro cujo tema magoará uma pessoa muito próxima e querida ou jamais escrever um grande livro, o que você escolheria?
MAURÍCIO GOMYDE - Acho que os grandes livros sempre magoarão alguém, porque as grandes histórias são cheias de conflitos e não há como criar conflitos que sejam unicamente do escritor. Espero jamais magoar alguém, mas não posso pensar nisso enquanto escrevo. Acho que se for uma pessoa querida e próxima, ela vai entender que tudo não passa de ficção.

SUPLEMENTO LITERÁRIO - Deixe aqui seus contatos.
MAURÍCIO GOMYDE - @mauriciogomyde (Instagram); mauriciogomyde@gmail.com

 
Ricardo Miranda Filho
Enviado por Ricardo Miranda Filho em 10/04/2019
Alterado em 10/04/2019
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